Após longo e tenebroso inverno, primavera, verão, outono, inverno e mais meia primavera, cá estou eu novamente, pra escrever nesse blogue que ninguém [ou quase ninguém] lê.
Mas tudo bem. Escrever é legal. =)
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Horácio

Horácio já não tinha pernas. Nem braços. Apenas uns apêndices para se deslocar por pequenos espaços, dentro de sua cabine.
Sim, Horácio mora em uma cabine. É uma salinha de 6 metros quadrados, sem luz e sem janelas. Ele não gosta de qualquer luz refletida em seu monitor. Um belo monitor LED 78 polegadas high definition plus. É nele que ele se inteira das novidades, vendo anúncios.
É, ele se preocupa somente com os anúncios e jingles. Os filmes e demais programas consomem muito tempo. Horácio quer saber das novidades do mercado, 24 horas por dia.
24 horas, literalmente. Horácio não dorme. Ele não gasta muita energia e não se estressa, por isso não precisa descansar. A pouca energia gasta pelo cérebro nas decisões de compra são repostas com fast-food e snacks. Sua digestão é simplificada: só possui molares, intestinos e uma espécie de cloaca, por onde sai tudo o que não é aproveitado pelo seu metabolismo.
E uma sonda recolhe os restos e envia para o sistema de esgoto, automaticamente. Sua higiene é assim: 100% automatizada.
Horácio compra muitas coisas que ele gosta nas lojas virtuais. Vídeo-games com comandos cerebrais, aparelhos de ginástica passiva, cosméticos milagrosos, móveis planejados articuláveis e portáteis, eletro-eletrônicos inteligentes, juicer que bate uma melancia inteira... Comprou um automóvel esses dias.
Tudo é entregue num depósito alugado, na Rua do Commercio, 1406. Claro, pois ele não tem tempo a perder com essas coisas. Objeto comprado já é passado. O importante é o objeto a comprar.
Horácio não tem a menor intenção de ser melhor do que eu ou você.
Nem pior.
Ele é apenas a evolução do ser-humano para o consumidor perfeito.
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sábado, 9 de maio de 2009
Ainda comemorando
Corinthians.
26 vezes campeão paulista.
5 vezes de maneira invicta.
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Timão
Tijela? Tigela? Ah, Vai na cumbuca, mesmo!

"Nooooossa! Que burra!"
"O que foi? Quem é burra, Roberta?"
"Olha o e-mail que a Alzira mandou pra mim!"
"Ué, o que tem demais? Ela pediu pra você encaminhar o orçamento das tigelas, pois a inauguração do bistrô já é no mês que vem."
"Ah, mas olha isso: ela escreveu 'TIGELA', com 'G'!"
"E não é com 'G'?"
"Claro que não! É com 'J'!!!"
"Ué, mas a Alzira não ia cometer um erro tão bobo assim... Ela sempre foi ótima jornalista, começou justamente como revisora..."
"Pra você ver... Eu nem gosto de ler muito e sei que 'tijela' é com 'J'."
Marcela não se conforma com o erro da amiga e vai tirar a prova no dicionário.
"Roberta! É com 'G' mesmo!"
"Ah, esse dicionário tá errado... Eu procurei no Google: 'TIJELA', e ele me mostrou 'Resultados 1 - 10 de aproximadamente 4.590.000 para tijela (0,23 segundos)'!"
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segunda-feira, 4 de maio de 2009
O ser-humano perfeito

A perfeição absoluta é um conceito que, na prática, não existe. Tudo sempre tem algum problema, desagrada alguém ou não é eficaz para algum uso. Buscar a perfeição absoluta seria como tentar agradar a gregos e troianos.
Mas as coisas podem ser relativamente perfeitas. Algum objeto pode encaixar-se perfeitamente em determinado espaço, algum jogador pode encaixar-se perfeitamente em determinado time, uma mulher pode ser perfeita pra mim.
A humanidade está se tornando relativamente perfeita. Ingerindo MacNutrientes e similares no lugar das antiquadas vitaminas e sais minerais, o ser-humano está engordando, obesando, ao mesmo tempo que fica anêmico, sem disposição.
É aí que surge o ser-humano perfeito para o mercado: bunda gorda no sofá, autoestima lá embaixo, sem ânimo para dar a volta por cima; esse cara compra qualquer coisa pra se sentir um pouco melhor. E comemora pedindo algo para comer, beber e engordar ainda mais.
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domingo, 26 de abril de 2009
Vegetariano? Tem de queijo e tem de palmito!

Maurinho meio que acordou na Santa Casa de Misericórdia, todo cheio de tubos enfiados no nariz, na boca e no braço. "O que eu tô fazendo aqui", pensou ele, confuso.
"Essa vida de chef de cozinha está acabando com o Maurinho" disse Lúcia, sua esposa, no quarto do hospital. "Ele não consegue pensar em outra coisa".
Ainda meio dopado, Maurinho lembrava de como gostava de ser 'chef de cuisine' há 10 anos atrás. Adorava criar novos pratos, inventar molhos, brincar com os sabores, os aromas e as texturas... O que mudou de lá pra cá?
Perdido em meio a sedativos e pensamentos, nem notou quando D.Amélia, a dona do restaurante, entrou no quarto. Quando ele percebeu, D.Amélia conversava com a sua esposa, falando algo a respeito de uma quiche de abóbora e carne seca.
Era isso! A quiche de abóbora com carne seca!
* * *
"D.Amélia, eu vim aqui pra dizer que me demito. Vou ser pasteleiro na feira livre."
"Mas Maurinho, isso é um absurdo!! Você é um dos melhores chefs do Brasil, reconhecido mundialmente!"
"D.Amélia, eu infartei quando vi sair da minha cozinha uma quiche de abóbora com carne seca preparada com proteína texturizada de soja. Meu cozinheiro de preparo se explicou dizendo que a patroa pessoalmente pediu essa cagada por causa de um pseudogourmet vegetariano. Na feira, o freguês que não gosta de carne pede pastel de queijo ou palmito."
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terça-feira, 7 de abril de 2009
Fala, garoto!!!

Alguns acreditam viver em plena Era da Comunicação.
A tecnologia nos permite falar mais e para mais pessoas.
Falamos não só ao vivo, mas também por telefone fixo, celular e VOIP.
Escrevemos cartas, telegramas, e-mails, SMS.
Enviamos dados, músicas e imagens por fibra ótica, infravermelho, bluetooth.
Opinamos em blogues, sugerimos pauta para jornalistas, reclamamos na seção "Reclame Aqui", metemos a boca no trombone.
É uma disseminação de idéias impressionante, sem precedentes.
Mas que 'cazzo' de comunicação é essa, que só tem um sentido?
De que adianta tanta disseminação se ninguém está disposto a ouvir?
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